Porque Amor Materno não tem um único rosto
e todas as formas de cuidar merecem ser celebradas com a mesma ternura.
Maio chega e as vitrines ficam Cor-de-Rosa, as Redes Sociais transbordam de flores e cafés da manhã na cama. A publicidade mostra sempre a imagem de uma mulher jovem, sorridente, segurando um bebê ou abraçando uma filha pequena numa cozinha clara e perfumada.
A imagem é maravilhosa, porém é só uma imagem entre milhares que existem fora da publicidade.
Porque a Maternidade é o ato de cuidar, proteger, criar raízes para que outro ser humano possa florescer, acontece de formas que nenhum comercial consegue mapear inteiramente.
Acontece em lares monoparentais e em famílias reconstituídas, em corpos que adotaram e em corpos que escolheram.
Acontece em avós que voltaram a criar, madrastas que amaram sem obrigação, em mães de consideração que nunca assinaram nenhum papel, mas que estiveram em cada momento que importou.
Nenhuma forma de maternidade é mais válida do que outra.
A mãe biológica que amamentou por dois anos e a avó que criou sozinha netos enquanto filhas e/ou noras trabalhavam têm o mesmo peso de amor.
A madrasta que aprendeu a amar os filhos de outra como seus próprios e a mãe solo que faz tudo por dois têm a mesma dignidade de presença.
Celebrar a diversidade materna não é diminuir nenhuma história. É ampliar o enquadramento para que mais mulheres se vejam nele.
Celebrar a diversidade materna não é diminuir nenhuma história.
É ampliar o enquadramento para que mais mulheres se vejam nele.
Mãe solo
A que faz por dois
Presença constante, o plano A e o plano B.
Aprendeu a ser suficiente quando o suficiente parecia impossível.
"Você não precisa
de superpoderes,
já os tem."
Avó que cria
A que voltou ao começo
Deixou o descanso de lado para recomeçar,
Escolheu o amor quando poderia ter escolhido a distância.
"Amor que já deu frutos e voltou a florescer."
MÃE ADOTIVA
A que escolheu
Não gerou no corpo, gerou na vida inteira.
Escolheu com intenção e consciência o maior compromisso que existe.
"Meu filho não nasceu de mim. Nasceu para mim."
Madrasta
A que amou sem obrigação
Nenhuma lei a obrigou. Nenhum sangue a prendia.
Ela ficou, e esse ficar é o mais bonito de todos
"Amor que não precisava existir e ainda assim escolheu estar."
Mãe LGBTQIA+
A que abriu caminhos
Criou filhos em um mundo que ainda aprende a acolher.
Ensinou pelo exemplo que Família é onde o Amor é real.
"Amor que não precisa de explicação.
Só de espaço."
Mãe de consideração
A que nunca assinou
"O documento que importa está escrito em memória afetiva."
Cada um desses retratos carrega uma história de escolha.
Algumas foram tomadas com alegria, outras, com o coração partido mas os braços abertos, e todas merecem ser vistas com o mesmo respeito.
"Família não é quem nasce com você. É quem escolhe ficar, e escolhe bem."
Celebrar a diversidade não é apenas uma questão de representatividade, embora seja isso e muito mais.
É uma questão de saúde emocional coletiva.
Quando uma criança cresce não se vendo nos modelos que a cultura apresenta como “família normal”, ela internaliza uma mensagem silenciosa: a minha história é menos válida, minha mãe é menos mãe, meu amor é menos amor.
Esse peso pode durar décadas.
Quando um adulto finalmente vê a sua história representada em um Artigo, Campanha, Livro, Série, algo se destrava.
Uma tensão que ele nem sabia que carregava, um reconhecimento que ele esperava sem saber .
Representatividade não é favor, mas necessidade humana básica.
"Ver-se refletida não é luxo.
É o começo de entender que
você pertence e que seu
Amor também pertence."
Este Dia das Mães, quero homenagear a todas as formas de maternidade que raramente aparecem nas campanhas.
Uma Lista de Honra incompleta, porque a Vida é sempre maior do que qualquer lista:
- À mãe que perdeu um filho
que ainda é mãe para sempre, de alguém que o mundo não chegou a conhecer da forma que ela conhecia.
- À mãe com deficiência
que criou com criatividade e determinação num mundo que raramente pensa nela quando pensa em maternidade.
- À mãe que luta contra uma doença
que encontrou forças onde não achava que existiam, por alguém que a olha como se ela fosse o próprio universo.
- À mãe com deficiência
e que ainda é mãe para sempre, de alguém que o mundo não chegou a conhecer da forma que ela conhecia.
- À mãe adolescente
que cresceu e criou ao mesmo tempo, sem manual e sem folga, com um amor que não esperou ela estar pronta.
- À mãe imigrante
que criou filhos sob uma língua diferente da que sonha, e em um país diferente do que chama de casa, sem rede de apoio e com saudade no corpo.
- À mãe que não se encaixa no modelo
que não amamenta, trabalha mais do que gostaria, chora mais do que imaginou e ama de um jeito que às vezes nem ela mesma reconhece como amor, mas é.
- À mulher que escolheu não ser mãe
que é inteira, completa, cuida e acolhe de formas que o mundo ainda aprende a nomear.
Representatividade começa nas pequenas escolhas, ou seja, no presente que você escolhe com cuidado para a madrasta que esteve lá.
No telefonema que você faz para a avó que recriou sem precisar. (meu caso)
Na legenda que você escreve no Instagram mencionando um tipo de mãe que as campanhas esquecem.
Começa, também, em como você se permite ser celebrada,sob qualquer que seja a sua forma de maternidade ou de amor.
Neste Dia das Mães, amplie o enquadramento:




